segunda-feira, 5 de outubro de 2015


domingo, 27 de setembro de 2015

O peso da atitude

Laércio Lins.


Atitude. Tenho pensado na força desta palavra. Atitude é a ação realizada no momento seguinte a um "clic" que sentimos e que nos diz que o impossível não existe. É uma quebra de direção e sentido na trajetória dos vetores de nossos momentos mais diversos.

Muitas vezes nos viciamos a uma rotina e ficamos cegos às oportunidades e possibilidades em nossa volta. Nessas horas precisamos "chutar o balde", buscar o impulso no fundo do rio para subir em busca de ar.

Há uma frase do escritor grego Nikos Kazantzakis que me faz lembrar o efeito prático da atitude: "Você tem seu pincel e suas tintas, pinte o paraíso e entre nele". Esta é uma questão de escolha, as tintas sugeridas para pintar o paraíso, também poderiam ser utilizadas para pintar o inferno.

A atitude anda muito próximo da quebra de paradigma, é uma ferramenta ativa nas pessoas que vivem a construir o momento seguinte, que muitas vezes, por falta do recurso adequado utilizam o recurso disponível e mesmo assim realizam. Observamos claramente a importância da atitude nos esportes. Muitas vezes ouvimos falar e temos a oportunidade de testemunhar o resultado de um jogo de futebol ser definido em um "detalhe". A atitude de um jogador pode mudar o resultado do jogo em uma fração de segundos, estes são chamados de "craques".

No universo dos negócios e da administração não é diferente, muitas vezes um argumento ou uma ação inesperada aponta uma solução surpreendente. As equipes ou times esperam atitudes de seus líderes e gerentes, mesmo que inconscientemente. A capacidade de resposta em momentos adversos faz a diferença entre Líderes e líderes.

Muitas vezes não há tempo suficiente para se discutir sobre uma decisão. O consenso, a participação da equipe nas decisões é importante, no entanto, é preciso alguém que mostre os quatro pontos cardeais, não apenas o norte. Assim como os vagões precisam da locomotiva para chegar ao destino.

A caminhada é árdua, tanto quanto deliciosa, tanto quanto doce é adormecer depois do cansaço. Pintamos nosso mundo com as cores de nossos anseios, pintamos nossa vida com as tintas de nossas metas, de nossos medos, de nossas paixões e de nossos sonhos. Muitas vezes precisamos mudar as cores, trocar o tom e adotar novas atitudes. As possibilidades e oportunidades são infinitas como as cores do espectro, como o conjunto dos números, como os arranjos formados pelas notas musicais numa melodia.

Instagram: @laercio.lins
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O estímulo e a motivação

(*) Laércio Lins

Quando falamos de desempenho profissional, lembramos de uma lista de qualificações pré-definidas: criatividade, agilidade, flexibilidade, competência, eficiência, eficácia, assertividade, proatividade e muitas outras. Vale lembrar que todas estas características só se consumam se estiverem emolduradas pela motivação, se não há motivo, a disposição destas características serve apenas como ferramenta para realizar o que é óbvio e previsível, o que é um grande desperdício.

O sucesso na realização de um evento, projeto ou tarefa, tem influência direta do perfil de quem executa. Se a execução é movida apenas por obrigação e através de ações mecânicas, o resultado é medíocre. Se o evento é realizado com capacidade técnica e prazer, as possibilidades e alternativas são ampliadas e surpreendentes.

Dias atrás eu ouvi a entrevista de uma atleta que vibrava com emoção pela conquista de uma medalha. Ela dizia: “Isso é tudo, não tenho explicação, sinto uma força, uma alegria que vem de dentro como se eu fosse explodir”. Parei para pensar no sentido daquela frase tão cheia de emoção e comparei com o sentimento de pessoas ao executar uma tarefa. Não consegui lembrar de muitas pessoas que realizam seu trabalho de maneira tão apaixonada.

Escuto muitos gestores falarem em promover isso ou aquilo para “motivar” suas equipes. Na verdade, o que eles estão tentando é estimular suas equipes para que elas realizem, vendam, comprem, produzam e transformem. Motivação é outra coisa, vem de dentro pra fora, “como se fosse explodir”. O estímulo ajuda momentaneamente, no entanto, não mantém. A motivação é auto sustentável, tem como combustível uma meta o interesse de uma equipe, ou mesmo um motivo ou satisfação pessoal.

O homem contemporâneo está exposto a influências da moda, de marcas, do marketing e de um universo infinito de informações. A quantidade de estímulos é imensurável, o que torna difícil as decisões e as escolhas. Só os indivíduos motivados se mantêm firmes, determinados e fiéis a seus objetivos, projetos e realizações dos sonhos.

Diante de suas equipes, os gerentes precisam atentar às características dos componentes, a observação e percepção são imprescindíveis para definir os papéis de cada um do grupo. Não há pessoas mais ou menos importantes, é uma questão de característica e de perfil, uns precisam de estímulo, outros são naturalmente motivados, estes, normalmente têm mais iniciativa, são inquietos e estão sempre buscando novas maneiras para realizar.

Em linhas gerais, Voltando ao comentário da atleta cuja força parecia “vir de dentro”, não há uma explicação lógica a não ser a realização pessoal de seu objetivo e a satisfação trazida pela vitória. A alegria de realizar algo muito almejado e desejado traz a sensação de que vamos explodir.  

Quando em sua citação: "Dê-me uma alavanca e moverei o mundo", o filósofo e matemático Arquimedes (287 a. C. -  212 a. C.), se referia à alavanca como um multiplicador da força. Gosto de pensar que ele se referia à alavanca como motivação, o motivo que que move o homem em direção à realização de uma meta - “Moverei o mundo”. O filósofo grego Sócrates (469 a.C. – 399 a.C.), após muitos estudos filosóficos, citações e pensamentos, imortalizou a frase: “Só sei que nada sei”, talvez este pensamento o tenha mantido motivado a pensar e a estudar sempre mais em busca de conhecimento e de sabedoria.        

O estímulo nos aciona, a motivação nos coloca inteiros em direção a um objetivo e o resultado mais provável é o sucesso e a conquista. O homem estimulado adquire confiança e realiza o que é possível. O homem motivado transforma em realidade um sonho que parece impossível.


(*) Laércio Lins é Palestrante e Consultor organizacional.
Instagram: @laercio.lins

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Piu-Piu e Frajola. Uma relação de Custo/beneficio.

Laércio Lins (*)

É comum que aconteça desentendimentos nas relações interpessoais. Há uma tendência natural de defesa de pontos de vista e isto é importante para o amadurecimento de uma ideia ou de um projeto. Nossas ações, atitudes e decisões têm influência de nossos modelos. Nossas crenças e nossas verdades às vezes se chocam com as visões de nossos sócios, parceiros ou amigos.
                                                            
Para lidar com diferenças é preciso disponibilidade para ouvir e consciência de que as possibilidades e as maneiras de ver são infinitas. Não existe verdade absoluta e este pensamento deve estimular o exercício da flexibilidade para que seja preservada a individualidade. Ficar preso a padrões engessados é abrir uma porta para o insucesso de uma equipe ou negócio, pressuposições e preconceitos são os maiores inimigos do entendimento.

As diferenças naturais entre parceiros podem e devem ser motivos de oportunidades, não de ameaças. O maior aliado de uma sociedade que almeja sucesso é a capacidade de manter, como referência, os objetivos comuns de seus componentes considerando suas características naturas e suas habilidades. O respeito à natureza e aos limites individuais fortalece as relações em todos os planos de relacionamento.

No desenho animado a natureza do Piu-Piu é fugir do Frajola. A natureza do Frajola é perseguir o Piu-Piu. A certeza de que Piu-Piu não será apanhado e que o Frajola continuará sua perseguição mantém viva a essência da dupla numa relação de custo e benefício, um alimenta a natureza do outro e isso estimula a audiência. O mesmo acontece com o desenho animado Tom e Jerry, eles se complementam com suas atividades e isso mantém o sucesso da dupla há décadas.     

O universo de uma parceria, sociedade, negócio ou organização se respalda na criatividade, flexibilidade, determinação, disciplina e principalmente no respeito e na clareza dos papéis de cada componente da equipe. Piu-Piu se completa em Frajola, Tom se completa em Jerry. Quando os perfis e os papéis dos atores de um negócios ou de uma relação pessoal são bem definidos, facilita-se a identificação das responsabilidades, direitos, deveres e equilibra-se o clima organizacional ou relacional, o que orienta para a minimização de conflitos e otimização dos resultados. Isso é muito comum nas relações de sucesso.


(*) Laércio Lins é palestrante e consultor organizacional
Instagram: @laercio.lins
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